Falo dos textos de que gosto. Falem dos vossos.
Soulmatx - o computador decide por mim. Já não corro o risco de errar, de dizer Erros meus, má Fortuna. Amor ardente/em minha perdição se conjuraram.
Que textos lemos?
Funes, o memorioso - não distingue, não hierarquiza.
Hierarquizar é bom; acreditar piamente na hierarquia já nem por isso.
FC: possibilidade.
Distopias: mais exorcismos que vaticínios.
A moça que não sabia que estava grávida, o moço que não sabia que tinha cancro, o amigo de infância cujos pais não queriam «incomodar os senhores doutores».
O pai na estação de Oeiras que chamou o 112 porque uma criança caiu do escorrega deixando a ressalva de que «se calhar não é nada». É um monstro? É má pessoa? Claro que não.
As marcas do tempo na linguagem: meninos rabinos, fazer judiarias, ser somítico...
Paul Watzlawick: como ser infeliz em dez lições, pensar fora da caixa.
Bape-papo:
De Patricia Reis Cabral para Todos: 02:39 PM
Os portugueses sabem mais sobre o holocausto do que sobre a escravidão de pessoas negras.
De Madalena Moreira para Todos: 03:06 PM
Soulmate?
De Patricia Reis Cabral para Todos: 03:26 PM
Arte poética
Escrever um poema
é como apanhar um peixe
com as mãos
nunca pesquei assim um peixe
mas posso falar assim
sei que nem tudo o que vem às mãos
é peixe
o peixe debate-se
tenta escapar-se
escapa-se
eu persisto
luto corpo a corpo
com o peixe
ou morremos os dois
ou nos salvamos os dois
tenho de estar atenta
tenho medo de não chegar ao fim
é uma questão de vida ou de morte
quando chego ao fim
descubro que precisei de apanhar o peixe
para me livrar do peixe
livro-me do peixe com o alívio
que não sei dizer
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